Quilos de criatividade à mostra no Mercado Municipal

O Mercado Criativo, uma das ações do projeto Douro Creative Hub, promovido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), aconteceu no Mercado Municipal de Vila Real, nos dias 30 e 31 de março, reunindo mais de 30 criativos da região NUTS III Douro.

O arranque deste Mercado Criativo teve lugar no Teatro de Vila Real, ainda na noite de dia 29, com a estreia do espetáculo “Lago dos Caretos – a sagração da prima Vera” de Luís Filipe Santos, uma ideia vencedora do Prémio Douro Criativo na categoria de Música e Artes Performativas.

Durante os dois dias em que o projeto invadiu o Mercado Municipal de Vila Real, as bancas deixaram de ter os habituais legumes e frutas para exibir marcas e novas ideias, trazidas dos 19 municípios da região por um conjunto de mais de 30 criativos que, para lá da exposição, puderam ainda assistir a vários debates que cruzaram a arquitetura, o design e o artesanato e à apresentação de um livro que reúne 441 criativos do Douro.

João Calejo, gestor do projeto, à conversa com o VivaDouro, mostrava-se bastante satisfeito pelo sucesso do evento, que se fez notar logo às primeiras horas.

“Está a correr muito bem. Temos uma afluência típica nestes territórios. Se estivéssemos no Porto ou em Lisboa a zona de restauração estaria cheia, aqui não é o caso mas também é bom para pessoas como eu que gostam de comer com calma, às vezes só olhamos para o lado negativo da situação. Numa conversa com a vereadora da Câmara Municipal de Penedono, ainda hoje, ela me dizia, “eu quero ser interior, não quero ser litoral”. Eu também não quero ser litoral, quero ter esta qualidade de vida do interior que não me obriga a estar duas horas numa fila para comer, fazer uma refeição de qualidade, estar tranquilo”.

Uma das vertentes mais procuradas do certame, foram as palestras que foram acontecendo e que debateram temas de interesse para os criativos da região.

“Temos tido palestras muito interessantes sobre temáticas importantes como a aplicação do design ao artesanato, transformando-o num modo de vida. Esta arte sempre foi vista um pouco como um escape para os mais pobres conseguirem fazer um pouco mais de dinheiro ou como castigo, por exemplo, quem se portava mal ia amassar barro para o barro de Bisalhães, para outros, era a tanoaria ou outra qualquer arte.

Hoje a realidade é outra, eu arrisco-me a desafiá-lo para questionar os mais de 30 expositores que temos aqui e eu tenho a certeza que, se não todos, a esmagadora maioria é, no mínimo, licenciado. É claro que continuamos a ter os artesãos tradicionais, e ainda bem, mas esta gente nova que está a vir para estas artes está a elevar a fasquia, se fica correto usar esta expressão.

A fasquia sociocultural, ‘socio-educacional’, da figura do artesão que, lá fora, já é uma figura respeitada e com estatuto, e este é o caminho”, afirma João Calejo.

Questionado sobre a repetição deste evento já no próximo ano, o gestor do projeto não deixou ainda certezas quanto ao futuro.

“As pessoas têm perguntado se vamos repetir no próximo ano. Eu gostaria de dizer que sim mas não posso afirmar isso. Eu acho que isto se faz com histórico, criando um hábito nas pessoas.

O projeto visou lançar esta ideia, era importante que outras instituições estivessem agora disponíveis para “pegar” nele. Nós estaremos sempre disponíveis para passar todo este capital que tem sido desenvolvido, tudo aquilo que aqui se está a fazer neste Mercado e o acervo que resulta na publicação do livro que aqui apresentamos, porque este projeto não deve ser apenas da UTAD. Aliás, a UTAD não se quer assumir dona e senhora disto. Foi-nos lançado o desafio, mostramos que é possível fazer este tipo de feiras e agora era interessante que outras instituições se pudessem associar para podermos fazer isto mais vezes”.

Marta Varela – M’Ilustra Douro

Este projeto tem sido bastante importante porque, para além da divulgação permitiu também conhecer outros criativos, estabelecer contactos, impulsionar a marca, fazer divulgação nas redes sociais e aprender com a troca de experiências que as diferentes iniciativas do projeto proporcionaram.

Neste Mercado estou a lançar um produto novo, o colar “Douro” que tem como objetivo promover o Douro e os seus socalcos com dois modelos, um todo prateado e outro em prateado e dourado.

Neste momento sinto que há ainda algum entrave ao crescimento da marca por não ter um espaço físico com os meus produtos e alguma lacuna ao nível da publicidade mas, o feedback que recebo dos meus produtos tem sido bastante positivo, em especial pelas pessoas que são da região por conhecerem uma marca que ilustra o Douro.

André Marques – Gavinha – Agência de Comunicação

O Douro Mercado Criativo é um ponto de partida importante para criar uma rede de criativos no território Douro. Muitos dos criativos andavam, até aqui, a trabalhar isoladamente. A partir de hoje há uma ideia mais clara da criatividade do que existe no território que permitirá gerar sinergias, complementando-se uns aos outros e é esse o princípio deste encontro.

Para a Gavinha, uma empresa com cerca de um ano e que se apresenta como uma empresa que comunica a profundidade do Douro, assumindo a sua proximidade com o território é importante fazer parte deste projeto para podermos mostrar o nosso trabalho.

Estamos aqui a apresentar um projeto inovador, o Take me Douro. É um produto novo que preparamos para este nosso segundo ano de existência. No primeiro ano centramos a nossa atuação na comunicação digital e agora estamos a apostar na comunicação física, criando uma linha de merchandising da região que vai ser vendida numa mota Piaggio que antigamente era usada para trabalho e que transformamos num expositor com a facilidade de dar mobilidade ao negócio, indo ao encontro dos turistas que visitam o nosso território.

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