UTAD desenvolve novas lentes fotocrómicas com maior velocidade de adaptação à luz

Responsável da empresa Polo, investigador da UTAD e ex-aluno da instituição transmontana/Foto: Salomé Ferreira

Responsável da empresa Polo, investigador da UTAD e ex-aluno da instituição transmontana/Foto: Salomé Ferreira

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro encontra-se a desenvolver em co promoção com a empresa Polo, sediada em Vila Real, novas lentes fotocromáticas que permitem uma maior velocidade de adaptação à luz solar. O projeto com um orçamento de cerca de 246 mil euros foi financiado por fundos europeus e encontra-se em processo de registo de patente nacional e internacional.

Apesar de a universidade de Vila Real já estudar este tipo de lentes há vários anos apenas em 2013 surgiu a parceria entre a universidade e a empresa vila-realense.

Um antigo estudante da UTAD foi a “ligação para que esta co promoção fosse estabelecida quando foi estagiar para a Polo”, afirmou Paulo Coelho, docente da UTAD e investigador do Centro de Química – Vila Real.

“Na universidade existe um grupo que já estuda este fenómeno há alguns anos e na cidade existe esta fábrica que produz lentes fotocromáticas e até ao momento ainda não havia colaboração entre as partes”, referiu o docente ao explicar a génese do projeto.

“Foram desenvolvidos dois protótipos de lentes que adquirem tons cinzento ou castanho quando expostas ao sol e revertem completamente ao estado incolor em apenas dois minutos, quando deixam de estar expostas à luz do sol”, explicou o investigador.

De acordo com Paulo Coelho, a principal diferença em relação às lentes que existem no mercado diz respeito ao tempo de descoloração. “Enquanto as que existem no mercado descoram em cerca de oito minutos, as lentes que desenvolvemos demoram aproximadamente dois minutos até se adaptarem à luz interior ”, comentou.

Também, nas lentes existentes, a exposição a diferenças de temperatura, “conduz regularmente à formação de fissuras que inviabilizam o seu uso”, acrescentou o docente da UTAD.

Com o objetivo de combater estes constrangimentos surgiu o projeto das “ColorLens”. De acordo com o investigador a primeira fase do projeto passou pela “criação da lente e do revestimento fotocromático que permitisse que as lentes colorassem e descolorassem mais depressa”, referiu, ao acrescentar que “sob esses foram colocados vários revestimentos até chegarmos ao produto final”, explicou.

O produto exige uma durabilidade assegurada de dois anos, pelo que, de acordo com Paulo Coelho, estão a ser efetuados testes de envelhecimento acelerado “para garantir que a performance não se altera ao longo do período de vida da lente”.

O passo que se segue é a industrialização do projeto, nesse sentido a Polo pretende “envolver uma empresa francesa para ajudar a desenvolver uma máquina que possa comercializar as lentes”, revelou o proprietário da empresa transmontana, acrescentando que o processo será iniciado já no próximo ano.

Na opinião do responsável da Polo “este produto vai ser importante para o desenvolvimento da empresa”, uma vez que “além de produzir para o mercado nacional vamos também exportar o produto”, explicou.

O projeto “ColorLens”, com um orçamento global de 246.430 euros, foi co-financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do Programa Operacional Fatores de Competitividade em 165.628 euros e decorreu de agosto de 2013 a junho de 2015.

Este foi o primeiro projeto realizado em parceria entre a UTAD e a Polo, no entanto já se encontram aprovados mais dois projetos em parceria com a academia transmontana e a empresa.

A Polo foi constituída em 1965 na cidade de Vila Real. Sendo que ao longo de 50 anos de existência decidiu sempre “apostar na inovação sem esquecer o passado”.

A empresa que tem como atividade a fabricação e comercialização de lentes oftálmicas conta atualmente com 92 colaboradores e exporta cerca de 60% da produção.

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