Vitivinicultores reivindicam por mais apoios na produção

Vitivinicultores em protesto em direção à casa do Douro | Foto: Ana Portela

Vitivinicultores em protesto em direção à Casa do Douro | Foto: Ana Portela

Realizou-se, no passado domingo, no Teatrinho em Peso da Régua, o encontro dos vitivinicultores do Douro, promovido pela Avidouro – Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro. Os principais objetivos da reunião foram a avaliação da vitivinicultura duriense, a reivindicação de apoios na produção e a atual situação da Casa do Douro.

O encontro organizado pela Avidouro marcou, mais uma vez, a luta dos vitivinicultores durienses pelos seus direitos. “Foram discutidos temas como os recentes prejuízos provocados pelo míldio e também pela queda de granizo, falamos também dos preços de produção e os rendimentos dos produtores que estão a cair em flecha e reclamamos a questão do benefício, com um aumento de mais vinte mil pipas para esta campanha” afirmou Berta Santos, presidente da Avidouro, representando a voz dos durienses presentes no encontro.

A dirigente salientou ainda a situação da Casa do Douro, “questão que nós continuamos a reivindicar, a Casa do Douro tem que ser da lavoura duriense e tem que voltar a ser uma associação de direito público com inscrição obrigatória”. Berta Santos exige ainda que o decreto-lei 152/2014, que “define o regime de regularização das suas dívidas e cria as condições para a sua transição para uma associação de direito privado, extinguindo o atual estatuto de associação pública da Casa do Douro”, seja “rasgado”.

No mês de maio, foi aprovada em Assembleia da República, a criação de uma comissão administrativa, entretanto já constituída, para regularizar as dívidas da extinta Casa do Douro e a situação dos trabalhadores.

“Vamos ter uma comissão administrativa paga pelo património da região”, sublinhou José Manuel Gonçalves, vice-presidente da autarquia reguense, acrescentando que a Casa do Douro tem património para “pagar a dívida”, não precisando que “venha o país todo para liquidá-la”.

João Dinis, reprresentante da CNA e Berta Santos, presidente da Avidouro | Foto: Ana Portela

João Dinis, reprresentante da CNA e Berta Santos, presidente da Avidouro | Foto: Ana Portela

Para Berta Santos, a constituição de uma comissão administrativa é “um pequeníssimo passo”. “Não estamos satisfeitos e, como já referi, paralelamente à comissão administrativa devia estar a ser tratado o rigor da revogação do decreto-lei 152/2014”, afirmou.

“A comissão administrativa criada tem pessoas do concelho que têm que saber o que se passa. E que, desta vez, a comissão saiba ouvir e respeitar a opinião da Avidouro e dos vitivinicultores”, defendeu João Dinis, representante da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), também presente no encontro.

A presidente da Avidouro sublinha ainda que é preciso que a Casa do Douro seja “representativa de todos os vitivinicultores para regular aquilo que é o mercado e a produção, caso contrário, vai acontecer o que já tem acontecido, que é o desaparecimento de milhares de pequenos e médios produtores que a região não comporta”.

No encontro foi também reivindicado pelos vitivinicultores apoios em relação às doenças que têm afetado as vinhas e à queda de granizo que recentemente prejudicou muitas produções na região vinhateira. “Há vitivinicultores com grandes áreas afetadas, há pessoas que já não têm área para vindimar, outras têm algumas uvas. Ainda é muito cedo para avançarmos com estimativas sobre a quebra na produção, aquilo que podemos dizer é que foi muito elevada”, revelou Berta Santos ao VivaDouro.

“Deste encontro saiu um conjunto de doze reclamações que serão enviadas ao Ministério da Agricultura, no sentido de resolver a questão do apoio a quem foi efetivamente afetado”, contou a dirigente, salientando que “ não há seguradoras que cubram este tipo de riscos portanto estamos completamente desprotegidos, precisamos que olhem para nós e que haja boa vontade do Governo para aceder a esta situação”.

O encontro terminou às portas do edifício da Casa do Douro, com vitivinicultores a gritar a uma só voz, “a Casa do Douro é nossa”, um “ato simbólico muito carregado” na perspetiva de Berta Santos, porque “só nós vivemos a situação da casa do Douro e aquilo que ela representa para os produtores durienses”, concluiu.

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