Contributo para o desenvolvimento na área da Saúde, no âmbito da CIMDouro

Por José Carrapatoso, Médico e Presidente da Assembleia Municipal de Lamego

É um direito absoluto de todos os cidadãos Portugueses o seu acesso à saúde em condições de igualdade e proximidade.

O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro é constituído por três unidades – Vila Real, Chaves e Lamego – com a função de permitir que as populações da sua área de abrangência sejam tratadas, nas suas situações de doença, com a máxima qualidade, eficiência, comodidade e proximidade.

Historicamente, o antigo Hospital de lamego sempre respondeu satisfatoriamente às necessidades das populações que servia, nas especialidades de que dispunha e também nas emergências médico-cirúrgicas que ali ocorriam.

Desde há cerca de 3 anos, após a abertura do Hospital de Proximidade de Lamego, se vem constatando que as populações da sua área de abrangência, foram altamente penalizadas no seu acesso à assistência na Saúde, em especial nas situações de urgência, na medida em que a Urgência Básica Qualificada que ali existe, não responde cabalmente às solicitações das gentes da região do Douro-Sul, na medida em que ali faltam serviços e técnicas necessárias ao desempenho de um verdadeiro serviço de urgência.

Não deveremos esquecer que a população que o Hospital de Proximidade de Lamego serve é de cerca de 80.000 habitantes, constituída pelos Concelhos do Douro-Sul, a que acrescem cerca de 20.000 utentes das áreas tampão de Castro-Daire, Régua, Mesão Frio e Resende, que frequentemente ali se deslocam, o que totaliza cerca de 100.000 utentes.

Não escondemos as evidentes melhorias sentidas nas especialidades que hoje são disponibilizadas pela Consulta Externa, com mais especialidades e mais oferta, em termos de proximidade, nem omitimos a excepcional oferta e qualidade da oftalmologia, que serve, não só a nossa região como gentes de outra regiões que ali ocorrem.

Não deixamos de referir a Cirurgia de Ambulatório, como uma mais-valia que hoje satisfaz, com eficácia, em mais especialidades, as necessidades da população.

Mas reconheçamos que, para uma região com as distância e tempos de deslocação que a orografia impõe a quem precisa de ser assistido na saúde, não há equidade com o todo nacional.

E assim, até para evitar que os utentes que integram as regiões do Douro Norte e Douro Superior, para já não falar dos da região abrangida pelo Hospital de Chaves, estejam espalhados, sem condições, em macas nos corredores da urgência e serviços do Hospital de Vila Real, o que os meus ilustres colegas nesta assembleia reconhecem ser verdade, urge dotar o Hospital de Proximidade de Lamego de mais camas e mais médicos, para que os nossos utentes não contribuam, ou contribuam o menos possível, para que os utentes da áarea de abrangência do Hospital de Vila Real não sejam prejudicados.

Temos consciência de que não é fácil pedir este esforço, de imediato, às finanças públicas no  momento actual, mas quando se fala em estratégias, torna-se necessário repensar o modelo funcional do Hospital de Proximidade de Lamego, adaptando-o, cada vez ais e melhor, às necessidades das populações.

Para além disso, em termos de urgência, é imprescindível que o Serviço de Urgência do Hospital de Lamego, disponha de um aparelho de TAC, sendo que estava previsto no Modelo Funcional do Hospital de Proximidade, onde existe sala vazia prevista para o acolher, evitando o constante corrupio de ambulâncias entre Lamego e Vila Real, com os custos inerentes para a sua realização em transportes e pessoal técnico, para além do elevadíssimo custo na (in)comodidade para os doentes, altamente sacrificados nestas situações de doença.

Refira-se que a existência deste meio auxiliar de diagnóstico não impõe custos em pessoal médico, pois a telemedicina hoje responde cabalmente a essa situação.

E só para que saibam, no ano de 2012 foram realizados a utentes / doentes da área de abrangência do Hospital de Lamego em Vila Real 3206 TACs, sendo que 1750 implicaram transportes e pessoal associados, com um custo total de 46.418,65 €, para realizar este exame, e, em 2013 3.137 TACs cujo montante pago ao sector convencionado foi de 184.754,76€. 

Chamo a atenção que o custo dum aparelho de TAC, como o adequado para o Hospital de Lamego, rondará os 120.000,00 euros!!!

Uma última palavra para o Serviço de Sangue, que se encontra montado e equipado em instalações próprias no Hospital de Proximidade de Lamego, com pessoal técnico treinado e habilitado, serviço que sempre existiu no velho Hospital Distrital de Lamego, absolutamente necessário em situações de urgência e num local onde funciona um Serviço de Cirurgia de Ambulatório.

É pois um serviço que urge reabrir e colocar ao Serviço das populações.

Concluindo, num momento em que as gentes da nossa região sofrem os efeitos de uma crise económica de todos conhecida, com as dificuldades que os custos da desertificação do interior acarretam, a falta de emprego, as dificuldades económicas, os custos de transportes, agravados pela falta de uma rede de transportes públicos de passageiros eficaz entre os concelhos do Douro-Sul e, entre todos estes e Vila Real, agravados com os custos das portagens, o que deixa ao abandono os nossos utentes internados em Vila Real e justifica a marcada falta às consultas externas que, por razões técnicas, acontecem em Vila Real, torna-se absolutamente necessário, por questões de coesão, que, quando se abordam as Estratégias de Desenvolvimento do Douro, esta problemática da Saúde seja defendida por esta CIMDOURO.