Dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa

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O envelhecimento e os estereótipos associados às pessoas idosas levam ao desrespeito pelos seus direitos, à exclusão e marginalização daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade e, com frequência, a situações de crime e violência. Todos os anos se registam vários casos de abuso contra as pessoas idosas, e muitos mais acontecem em silêncio, sem conhecimento público.

Os maus-tratos a pessoas mais velhas são generalizados a toda a região europeia, onde se estima que pelo menos quatro milhões de idosos são alvo de maus-tratos por ano e que mais de 2.500 morrem todos os anos. A maior parte dos países da região europeia tem uma população envelhecida, o que se traduz num número crescente de pessoas em risco. Portugal está no grupo dos cinco piores no tratamento aos mais velhos: 39% dos idosos são vítimas de violência, numa lista de 50 países europeus, segundo dados da OMS.

Existem inúmeras razões pelas quais uma pessoa idosa que é vítima de maus tratos não denuncia os abusos que sofre, como por exemplo: ter demência ou outra doença que afete a memória; não reconhecer que está a ser negligenciado; não reconhecer os seus direitos e saber que tais práticas de violência, inclusive a psicológica, são crime; viver isolado e sem contacto com outras pessoas que possam ajudar e intervir, denunciando a situação; receia de denunciar os maus tratos e vir a sofrer represálias por parte do agressor, caso as autoridades competentes falhem na sua proteção.

Esta discriminação etária é uma grave violação dos direitos humanos, segundo a ONU, o que nos deve impulsionar para a mudança neste domínio. A violência contra idosos pode assumir várias formas e implicar a prática de diferentes crimes como: violência física; violência psicológica; violência sexual; negligência e abandono e violência financeira.

Para além das medidas existentes temos que investir neste flagelo social, seja aprimorando os instrumentos de deteção de maus-tratos, na intervenção psicológica após a descoberta de maus-tratos, na avaliação neuropsicológica para determinação de capacidade financeira, na perícia de escrita manual (para deteção de falsificações de testamentos e outros documentos) e no suicídio cometido pela população idosa. Torna-se emergente definir políticas públicas na promoção de estratégias de envelhecimento ativo e para uma efetiva prevenção da violência.

A sociedade tende a esquecer que o idoso é um dos seus elementos mais “ricos”, pela sua experiência, pelos seus conhecimentos, pelo seu amor aos familiares, pelo legado que deixa não só aos seus, mas a toda a comunidade. Assim, reconhecer a sua dignidade e direitos pode trazer-nos muito em troca.

Lembre-se que, tal como nós todos os idosos gostam de ser tratados com Carinho, Simpatia, Gratidão, Ternura, Caridade, Amor, Afeto, Liberdade, Amizade e Respeito.

Vamos todos dizer não aos maus-tratos e à violência contra os idosos.

  • Associação Portuguesa de Apoio à Vítima: 707 200 077
  • Linha Nacional de Emergência Social: 144
  • Linha do Cidadão Idoso da Provedoria de Justiça: 800 203 531
  • Guarda Nacional Republicana: Contacte o Posto da área da sua residência.