Dia Mundial da Saúde 2022

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Dia Mundial da Saúde 2022

Alterações Climáticas: em que medida afetam a nossa saúde

No Dia Mundial da Saúde somos convidados a refletir sobre o impacto negativo das atividades humanas e económicas no equilíbrio do planeta, porque a saúde do planeta e a saúde pública são indissociáveis e ambos constituem desafios urgentes e globais, dos quais depende o progresso humano. A saúde e o bem-estar humano estão ligados a um conjunto de áreas fundamentais: aos fenómenos meteorológicos extremos, às doenças infeciosas, à água, à saúde mental, aos alergénios, ao stress associado ao calor, à poluição do ar e à alimentação.

A situação em que o nosso Planeta se encontra atualmente, principalmente devido ao rápido avançar das alterações climáticas, já está a ter um grave impacto na saúde das populações de todo mundo. Fenómenos como ondas de calor, ondas de frio, inundações, secas, furacões, tempestades e outros eventos climáticos extremos, tendem a tornar-se cada vez mais frequentes. Alteram-se os ecossistemas e os padrões de distribuição de doenças infeciosas no planeta; crescem as migrações, a pressão sobre os recursos naturais e, consequentemente, os conflitos sociais e económicos exercendo pressão sobre os serviços de saúde e suas infraestruturas. As consequências para a vida na Terra e na saúde do Homem não se fazem esperar, podendo estar em causa a própria sobrevivência.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) refere que os fatores de stress ambiental são responsáveis por 12 a 18% do total de mortes nos 53 países da região europeia onde tem presença. O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) refere que um aquecimento global de 2°C colocaria mais de metade da população de África em risco de má nutrição e de doenças infeciosas, transmitidas pelos mosquitos ou pela má qualidade da água que origina cólera e diarreia. Tudo isto tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas. A OMS alertou que a saúde de milhões de pessoas poderá ser ameaçada pelo aumento da malária, de doenças transmitidas pela água e da má nutrição. Estes fatores terão também um impacto nas migrações humanas, o que leva a um aumento do número de refugiados causado pelas alterações climáticas, podendo levar a transtornos de saúde mental induzidos pela crescente agitação social e pelos deslocamentos forçados. Não só pelo colapso de zonas agrícolas (secas extremas e inundações), como pelo aumento da frequência de eventos extremos com consequente destruição de infraestruturas e habitações, mas também colocando em risco os mais de 800 milhões de pessoas que vivem em zonas costeiras, ameaçadas pela subida do nível médio do mar.

É sabido que existe um aumento de CO2 para a atmosfera e é necessário reduzir drasticamente as emissões de gases com efeito estufa, remover ativamente o CO2 da atmosfera para evitar uma catástrofe climática. A União Europeia (EU), em consonância com o Acordo de Paris, coloca esta, numa trajetória equilibrada rumo à neutralidade carbónica até 2050. A Comissão decidiu, em abril de 2021 aumentar a ambição climática com o objetivo de redução das emissões de Gases com Efeito Estufa (GEE) de 40% para 55% até 2030 relativamente aos níveis de 1990. Gases com efeito estufa (GEE) são emitidos, principalmente, através da queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão), resíduos sólidos e árvores.

As alterações no uso do solo, a degradação deste e a desflorestação também resultam em maiores concentrações de CO2 na atmosfera. Estes gases contribuem de forma direta para os problemas de saúde, causados pelo smog fotoquímico e pela poluição atmosférica na Europa. A poluição atmosférica está associada a doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais (AVC), doenças pulmonares e cancro do pulmão. Calcula-se que a exposição à poluição atmosférica resulte em mais de 400 mil mortes prematuras na UE por ano.

poluição sonora é um problema grave, tanto para o ambiente, como para a saúde humana, afetando a qualidade de vida e saúde mental. A exposição ao ruído provocado, pelos meios de transporte e pela indústria pode causar distúrbios do sono, aumento do risco de hipertensão e doenças cardiovasculares, bem como deficiência cognitiva nas crianças.

Com as alterações climáticas, a vegetação também muda: além de crescerem mais depressa, as plantas florescem mais cedo e durante mais tempo, resultando no aumento dos Alergénios ambientais. Nestas condições, há perigo de agravamento da asma e aumenta a frequência da rinite ou de outras reações alérgicas, como as cutâneas.

Não temos tempo. A Natureza grita por socorro todos os dias e estamos em contagem decrescente.