Doença Coronária

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Doença Coronária

A propósito do Dia Nacional do Doente Coronário, celebrado anualmente a 14 de fevereiro, faço aqui uma breve resenha na tentativa de a explicar o que é a doença coronária, uma enfermidade que ataca as artérias coronárias. As artérias coronárias são os vasos sanguíneos que transportam o sangue com os nutrientes necessários ao músculo cardíaco para que este possa cumprir a sua função de bomba.

As artérias coronárias estão situadas na parte exterior do coração, passando por uns pequenos sulcos, envolvidas por gordura, que serve de amortecedor para as proteger das vibrações transmitidas pelo coração quando se contrai.

A doença das artérias coronárias pode ter várias origens: ser congénita; ser causada por doenças infeciosas, ou mesmo traumatismos. Contudo a causa mais importante, pela sua enorme frequência e consequências, é a causada pela aterosclerose.

A Doença Aterosclerótica Cardíaca consiste na formação de placas no interior da parede das artérias, constituídas por elementos do sangue, particularmente monócitos, plaquetas e lipoproteínas. E é o crescimento e rotura dessas placas, com a formação de trombos (coágulos dentro das artérias) que leva à interrupção parcial ou total da circulação do sangue para as células que causa o aparecimento dos primeiros sintomas, geralmente uma dor típica. Quando a obstrução do vaso é parcial, a dor é geralmente menos intensa com períodos de maior e menor intensidade; é a chamada Angina de Peito; Quando a oclusão é completa, normalmente a dor é mais intensa e em crescendo, levando ao Enfarte do Miocárdio.

Felizmente que com a evolução da ciência, hoje em dia temos a capacidade de atuar nestas situações, com excelentes resultados, que estão diretamente ligados à precocidade do início da intervenção. Contudo, mais importante do que tratar o episódio agudo, é prevenirmos a instalação da doença, o que está perfeitamente ao nosso alcance, bastando para tal modificarmos alguns comportamentos do nosso estilo de vida, a saber:

  1. Não Fumar. – O tabaco leva à formação da aterosclerose, não só pelas substâncias toxicas que possui, e que agridem vários órgãos, mas também por diminuírem a quantidade de oxigénio no sangue, aumentarem o monóxido de carbono, provocarem vasoconstrição das artérias, além de aumentarem a capacidade de aderência das plaquetas.
  2. Fazer Exercício Físico – O exercício físico contribui para que a circulação se faça com maior facilidade, ajuda o coração a adaptar-se mais facilmente sempre que as necessidades do organismo o obriguem a contrair-se com mais força e velocidade, facilita o transporte dos diversos nutrientes pelo organismo e a acelera a remoção de produtos tóxicos.
  3. Evitar bebidas alcoólicas – O consumo excessivo do álcool tem um efeito vaso constritor importante, além de poder causar lesões diretas no músculo cardíaco e em outros órgãos.
  4. Ter uma Alimentação Saudável – Comer pouca quantidade de cada vez e fazer várias refeições ao dia, dando preferência aos legumes e frutas, comendo mais peixe do que carne, evitando comida pré-cozinhada, e se o fizer verificar no rótulo o seu conteúdo. É conveniente comer com pouco sal e pouco açúcar, que em excesso são prejudiciais à saúde das artérias, bem como evitar as gorduras de origem animal, dando preferência ao azeite.
  5. Evitar a Obesidade – A obesidade é mais um fator de risco, não só pelo aumento do peso em si que obriga a um maior trabalho cardíaco, mas particularmente por outras doenças que lhe estão associadas.
  6. Controlar os níveis de colesterol. Sabemos que alguns tipos de lipídeos, particularmente o colesterol, estão ligados à aterosclerose. Por isso, é essencial controlar os seus níveis sanguíneos, devendo pelo menos uma vez por ano visitar o seu médico de família que é o seu melhor conselheiro.
  7. Hipertensão Arterial. Níveis elevados da Tensão Arterial aumentam o risco de desencadear ou agravar a doença coronária. Deve medi-la regularmente e, mais uma vez, aconselhar-se com o seu médico de família.
  8. Stress e Ansiedade. São situações que cada vez mais estamos sujeitos e estão intimamente ligadas. Deve-se tentar evitá-las, o que muitas vezes é difícil, mas um passeio, a prática de exercício físico e a interação com outras pessoas, muitas vezes são formas que podem contribuir para superarmos os acontecimentos que nos afligem.

Para além destes fatores de risco existem outros que não podemos modificar, como sejam a idade, o sexo, a raça e algumas situações ligadas à hereditariedade.

É, por tudo isto, que se torna importante conhecer a história familiar de cada doente, atribuição essa que cabe em primeira linha ao Médico de Família, pilar principal da saúde pública. Não facilite.