Inovar na organização regional

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A criação do conceito de sistemas de inovação regional, vulgarmente conhecidos por RIS (Regional Innovation Systems), há vinte anos, entrou facilmente no nosso léxico e também na forma de estarmos e de nos posicionarmos face ao desiderato de promovermos o desenvolvimento regional. Reconhecida a massa crítica existente nas regiões, frequentemente imbuída de vontades inabaláveis para impulsionar o desenvolvimento, sentia-se a sua pouca eficácia face ao despovoado de instituições e de organizações regionais. Abro aqui um parêntesis para referir que creio ser consensual que a criação da UTAD foi indiscutivelmente a primeira instituição na região de Trás-os-Montes e Alto Douro que veio promover o ambicionado desenvolvimento.

Não obstante, foi necessário criar mais organizações que nos levassem a trabalhar de forma mais organizada em torno de objetivos comuns que, de forma efetiva, se traduzissem num impulso no crescimento e no desenvolvimento. Não obstante a existência de RIS foi necessário definir as estratégias que se traduziram nas estratégias de especialização inteligente- RIS3 (Regional Innovation Smart Specialization Strategy), numa fase em que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) se impunham como motor de desenvolvimento. Com as estratégias bem identificadas, após um meritório exercício de auscultação regional efetuado pelas CCDRs, surgiram inevitavelmente as prioridades e com estas as organizações que pudessem dar corpo a uma estreita cooperação de entidades. Surgiram os Clusters e, mais recentemente, os Centros de Competências e Laboratórios Colaborativos, porém, há 25 anos, tinham surgido os Laboratórios Associados pela mão do saudoso Professor Mariano Gago, que só tardiamente e justamente em 2020 viram a ambicionada democratização regional.

Efetuada esta sintética retrospetiva, é tempo de fomentar a inovação através de um modelo organizacional que estimule a cooperação entre todas estas instituições e organizações. No momento da ubiquidade da informação e das mudanças em nanosegundos, temos que evoluir, rapidamente e sem qualquer inibição, para um nível de organização em ecossistemas regionais de investigação e inovação, com plataformas abertas e fortemente interativas, que sejam verdadeiros aglutinadores de competências e, acima de tudo, de vontades comuns, de cogeração de conhecimento, de potenciar a valia de cada um e das estruturas em que nos enquadramos, que se traduzam em mais-valia para o setor empresarial e para a sociedade em geral. Contem com a pro-atividade da UTAD.

Para concluir, permitam-me terminar com uma expressão de Patrick Lencioni: “Teamwork begins by building trust. And the only way to do that is to overcome our need for invulnerability”.