Master of Port: À terceira é de vez

Desde a sua fundação, e depois de 18 edições que reuniram quase 1400 participantes, o Master of Port tem indubitavelmente crescido em sucesso, tamanho e popularidade. Um objetivo desde sempre perseguido pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, I.P. (IVDP). Aliás, o apoio incondicional em regime de co-organização do IVDP ao Master of Port insere-se nessa abrangente política de criação de valor à volta do Vinho do Porto que inclui a continuada promoção externa, formação certificada e especialização. Um propósito também certamente na mente de Taittinger Champagne que, contando com o apoio técnico da Union of French Sommellerie, criou o Master of Port em 1988 com o objetivo de distinguir os sommeliers que denotavam uma profunda cultura do Vinho do Porto. O Sindicato das Grandes Marcas do Porto (SGMP), sob a égide da Edith Cayard assumiu, em 2004, a organização deste concurso.

Master of Port assume atualmente enorme relevância pois trata-se de nomear um novo embaixador que disseminará de forma participada, esclarecida e técnica a qualidade do Vinho do Porto. Afirma o ditado popular que “à terceira é de vez”. Gaëtan Bouvier, sommelier no restaurante Saisons, no Institut Paul Bocuse, em Lyon, hoje mais do que nunca deverá levar à letra a proverbial sabedoria tradicional portuguesa depois de vencer à terceira tentativa o Master of Port. O melhor sommelier francês em 2016, que na oportunidade definiu o Vinho do Porto como “um vinho que fazia a síntese do passado para o futuro”, tem agora o caminho mais facilitado para atingir o ambicionado título de Meilleur Sommelier du Monde.

Todavia, e ainda antes de sonhar com tal epíteto, Gaëtan Bouvier teve de superar um conjunto de rigorosas provas na final realizada no Cercle National des Armées, em Paris. Avaliação, essa, em que os três finalistas, além de Gaëtan Bouvier também estavam apurados para o desfecho da competição Micael Morais (Restaurant Tomy& Co) e Yann Satin (Freelancer, Attin), tiveram de demonstrar, perante uma alargada audiência que incluía profissionais do setor, jornalistas e bloggers, os seus conhecimentos sobre o mundo do vinho secular.

Regozijo parcialmente satisfeito na Embaixada de Portugal em Paris onde, paralelamente à cerimónia de entrega de prémios do Master of Port 2019, teve lugar uma Grande Prova de vinhos do Porto e do Douro. Um momento para enraizar, expandir e fortalecer a notoriedade dos nossos vinhos naquele que é o maior mercado de exportação de Vinho do Porto. De destacar também que, num documento publicado em março deste ano pela France AgriMer (Vins et spiritueux – Commerce extérieur – Bilan 2018) se refere que entre os vinhos licorosos “encontram-se, em particular, os vinhos importados de Portugal (essencialmente Porto com 62%), que são muito bem valorizados.

Na verdade, e apesar da tendência no século XXI para um decréscimo na quantidade importada, a França encima desde 1963 o ranking dos principais mercados para o Vinho do Porto com uma quota de 26,2 pontos percentuais em 2018. Um valor que corresponde à expedição de 2,1 milhões de caixas, ou seja, 25,5 milhões de garrafas, que representam um volume de negócios de 71,1 milhões de euros. De resto, a importância do mercado francês para o Vinho do Porto reflete-se no facto das expedições de vinhos da Região Demarcada do Douro (RDD) com Denominação de Origem Protegida (Porto e Douro) para França representarem cerca de 70% do valor total das expedições de vinhos portugueses para o mercado francês, e no facto de França liderar no ranking dos mercados (em quantidade e valor) para o total das expedições de vinhos portugueses.

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