Novas apostas na formação superior

Por António Fontainhas Fernandes, Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)

Por António Fontainhas Fernandes, Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)

A volatilidade do mercado de trabalho leva a que as famílias estejam cada vez mais atentas às apostas dos jovens, em especial nos momentos em que têm de fazer as suas opções de Futuro.

A aposta na formação superior dos jovens continua a fazer a diferença na qualidade de vida, nas possibilidades de emprego e no envolvimento cívico das pessoas. A qualificação superior é, sem dúvida, a melhor opção para uma inserção mais rápida no mercado de trabalho, sendo consensual que os jovens diplomados demoram menos tempo a conseguir emprego.

No domínio da educação superior, a agenda política tem sido marcada pela necessidade de aumentar a qualificação da população portuguesa, uma orientação crucial para Portugal retomar um processo de convergência progressivo com a Europa, e contribuir para o objetivo europeu de alcançar a meta de 40% de diplomados da população em 2020. No entanto, esta aposta passa obrigatoriamente por qualificar em áreas com empregabilidade e com impacto no desenvolvimento do país.

As novas tendências de oportunidades de emprego em Portugal têm mostrado uma evolução diferente das projeções sobre o mercado de trabalho na União Europeia. O Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Vocacional divulgou um relatório que mostra que 26% das oportunidades de emprego em Portugal se concentram no sector agroalimentar. Em contraste, as preferências europeias sugerem que as vocações de elevado nível em ciência, caso das engenharias, das formações de saúde e de negócio representam 24% das oportunidades, enquanto em Portugal assumem cerca de 14%.

Estas tendências, associadas aos bons resultados obtidos no sector primário, abrem boas perspetivas na formação agrária. Na verdade, no final do último ano, Portugal alcançou em termos de valor, cerca de 82% de autossuficiência alimentar. O aumento das exportações e a diminuição das importações registado nos últimos anos indicam que há mais gente a trabalhar no sector, a produzir, a inovar e a acrescentar valor.

Estes resultados comprovam o aparecimento de uma nova classe empreendedora jovem, com competências e formação, de dimensão internacional, que tem apostado na qualidade, na diferenciação e em conhecidas práticas de sustentabilidade ambiental.

É previsível que estas tendências, associadas às desejáveis mudanças de Portugal para uma economia mais intensiva em conhecimento e às novas políticas de I&D, possam promover o crescimento económico e a competitividade do sector agrário.