O Douro do vinho na obra do fotógrafo Emílio Biel é a mais recente edição da In-libris

Por Manuel de Novaes Cabral, Presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP)

Um tesouro escondido foi agora trazido à luz do dia pelo Paulo Gaspar Ferreira!

Biel, fotógrafo e editor, foi o introdutor da fototipia em Portugal e um dos primeiros fotógrafos de relevo no nosso país, sobretudo com uma perspectiva documental. Deu à estampa, entre outros livros, “O Douro”, de Manuel Monteiro, inicialmente publicado em fascículos, desde 1907, e depois num volume único, em 1911. Gaspar Martins Pereira, na apresentação que escreveu para uma reedição deste livro feita em 1988 pela Editora Livro Branco, diz que “Biel, que há mais de três décadas fotografava intensamente o Douro, encontrou em Manuel Monteiro o colaborador certo para uma obra que é (…) um dos melhores álbuns fotográficos da região (…)”. Só que, até agora, não se conheciam os originais dessas fotografias, que estão reproduzidas em muitos textos, mas com a debilidade de impressão da época.

Neste espólio, estão não apenas fotografias que foram publicadas nesse livro “O Douro”, como outras que não o chegaram a ser e ainda outras que ilustram obras como “A Arte e a Natureza em Portugal”. No livro O Douro do Vinho na Obra do Fotógrafo Emílio Biel, estão, devidamente tratadas uma a uma, com a competência e o cuidado de que só o Paulo Gaspar Ferreira é capaz, 70 fotografias seleccionadas, que retratam o Douro do Vinho, o Douro território, o Douro cultura.

Felizmente muitos, desde a invenção da fotografia, quiseram fixar tantas imagens do Douro, permitindo-nos percorrer a sua evolução ao longo dos anos, ao longo dos séculos. No Douro, da transformação do território às práticas culturais, da forma de estar dos durienses no seu dia a dia ao trabalho na vinha e nos lagares, das refeições colectivas aos pagamentos da jorna, da plantação das videiras à apanha da uva, do chiar dos carros de bois à perigosa aventura dos barcos rabelos, do rio tumultuoso e traiçoeiro aos socalcos esculpidos, da região de produção esforçadíssima aos dormentes armazéns de Vila Nova, do sossego das vilas e aldeias ao reboliço cosmopolita da cidade. Sempre Douro.

O resultado dessa faina fotográfica está aqui adiante, num trabalho de reprodução e tratamento que nunca antes foi feito,  deslumbrando os nossos sentidos e permitindo-nos uma nova leitura da história, do território, da economia e das vivências destes espaços em anos não muito recuados, mas suficientemente importantes para melhor entendermos o Douro de hoje e prepararmos o futuro que se quer melhor, sobretudo para quem por cá persiste.

Sem este histórico de registos do real, da evolução da paisagem e, sobretudo, das práticas culturais, dificilmente teria sido possível elaborar o necessário relatório para que a Unesco pudesse registar e certificar aquilo que todos nós, durienses e portugueses, já sabíamos: o Douro Vinhateiro é, efectivamente, um excesso da natureza (Torga) que nos foi legado para que, com responsabilidade, dele nos possamos servir, preservando-o e acrescentando condições para que, quem nele vive e trabalha, possa ter cada vez mais capacidade para o transmitir ainda em melhores condições às gerações que nos vão suceder.

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