O que pensa… Manuel de Novaes Cabral

Considera que a população desta região é bem informada?

Existem vários órgãos de comunicação social na Região Demarcada do Douro que trabalham a informação local, refletindo os principais assuntos e acontecimentos na região. Há, aliás, na região uma rede de informação e conhecimento disponível através de diversos de canais. Torna-se, no entanto, necessário apostar numa maior qualificação das pessoas, promovendo-se um acesso real à informação, no sentido de a transformar em conhecimento efetivo. Só assim poderá ser uma ferramenta ao alcance dos durienses, para um criar um contexto de uma verdadeira sociedade de informação.

Que vantagens para a região trará o surgimento de um meio de comunicação deste tipo?

Espera-se que um novo meio de comunicação traga sempre novas perspetivas e acrescente valor, contribuindo assim para disponibilizar cada vez mais informação de interesse para a população local. Deseja-se que reflita os assuntos importantes para os durienses, mas que também traga para a região novidades e uma visão ampla e clara do que se passa fora da região, mas que a afeta de forma mais direta ou indireta. Mais espaço para a voz dos durienses, maior quantidade e diversidade de informação, uma nova visão da região são algumas das vantagens que se espera com a chegada de um novo jornal.

Os vinhos da Região Demarcada do Douro têm tido uma boa projeção?

Recentemente, os vinhos da Região Demarcada do Douro estiveram com um grande e especial destaque ao nível internacional. A conceituada revista Wine Spectator atribuiu a um vinho do Porto o primeiro lugar do seu TOP 100 de 2014. Aliás, dos primeiros quatro lugares deste importante ranking têm três vinhos da região, para além da primeira posição, conquistamos ainda a segunda e a quarta. O melhor vinho do mundo é da Região Demarcada do Douro. Fruto do trabalho das empresas e dos produtores, o Douro Vinhateiro tem vindo a evoluir de forma muito positiva e estas distinções são um sinal de que estamos no caminho certo. O vinho do Porto, produzido desde 1756 a Região Demarcada do Douro, é conhecido e reconhecido mundialmente há centenas de anos e os DOP Douro têm feito um percurso excecional, conquistando também o seu lugar no mundo. Criada em 1982, a denominação de origem Douro tem pouco mais de 30 anos, mas tem vindo a crescer em cada vez mais mercados. Os vinhos da RDD estão em mais de 110 países e o prestígio, notoriedade, identidade e qualidade das denominações de origem Porto e Douro levam a região cada vez mais longe. A aposta das empresas na tecnologia de produção e na forma como apresentam o produto final ao consumidor, com um design moderno e apelativo, sem perder a tradição e a história, são um forte sinal do sentido de inovação da região. Neste âmbito, importa ainda referir que grandes nomes da arquitetura assinam projetos de adegas que apresentam uma imagem mais contemporânea, contribuindo para a atratividade do turismo na região. O Alto Douro Vinhateiro, classificado pela UNESCO como Património Mundial em 2001, continua a surpreender o país e o mundo.

Manuel de Novaes Cabral – presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP)