Opinião: O Douro Sul tem que optar pela competência

Os desafios são grandes e complexos nesta região com idiossincrasias vincadas.

A saúde contribui de forma decisiva para a fixação de pessoas e atrair outras para esta região.

Pois, mas foi na saúde que não se fez caminho nos últimos três anos. As estratégias não foram ao encontro desta alteração da estrutura demográfica. A inovação e desenvolvimento, estagnaram, à espera que alguém pensasse em mudar a sua vião e missão para a saúde do Douro Sul. As lideranças locais da área da saúde não foram capazes de construir pontes para minimizar os constrangimentos de falta de recursos.

A saúde será a grande bandeira do desenvolvimento. A saúde numa visão holística, é o vetoor estruturante para a melhoria da qualidade de vida neste território e o fator principal de sustentabilidade humana.

A sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde é essencial e depende diretamente da resiliência dos indivíduos, das comunidades e da sociedade em geral.

Um Serviço Nacional de Saúde sustentável será, em primeiro lugar, aquele em que os cidadãos se assumem enquanto agentes ativos no processo da promoção da saúde e da prevenção da doença. Para além disso, a potenciação de redes sólidas de cuidados de saúde informais será um vetor importante para a atenuação dos encargos que pesam sobre os sistemas públicos.

Agora, é tempo de desenhar novas estratégias adequadas para ganhar os confrontos com os desafios que decorrem de fenómenos de profunda mudança quer no que se refere ao perfil demográfico quer na sequência da transição epidemiológica.

O Portugal de hoje, no quadro daquele processo de transição, exibe como burden de doença, que muitas podem ser acompanhadas no domicílio.

A saúde e o Serviço Nacional de Saúde são um bem que nos habituamos a defender e valorizar, A evolução social, técnica e científica obrigam a evoluir e investir nos Cuidados de Saúde Primários e de proximidade, na saúde da pessoa e da família e na medicina geral e familiar.

As Unidades de saúde de Proximidade são uma ferramenta indespensável para o desenvolvimento de uma população saudável e feliz, nas quais a intervenção Autárquica é fundamental e necessária, sem esquecer as Misericórdias e IPSS.

A Administração Regional de Saúde do Norte tem trabalho inovador e consistente em todos os territórios. Mas, no Douro Sul nada aconteceu de novo e não se salvaguardou o futuro.

Por isso o problema não foi a ARS Norte mas a forma como foram liderados os seus serviços desconcentrados aqui no Douro Sul.

Como tenho vindo a referir não se compreende que sejamps o território com pior, muito piot, cobertura de Equipas de Cuidados Continuados Integrados ao domicílio, só eiste uma no concelho de Tarouca. Que tenhamos dois concelhos onde nem Unidades de Cuidados na Comunidade existem. Que nenhuma USF . Unidade de Saúde Familiar tenha sido criada nestes últimos três anos.

Estas realidades negras são fator de injustiça para com os cidadãos desta região. Não podemos ficar indiferentes e aceitar um tratamento desigual. Exige-se que se encontrem lideranças com conhecimento técnico, curricular, comportamental e experiência, que possam marcar a diferença na competência de gestão dos recursos e se quando necessário, procurarem, justo das Instituições e dos Municípios, os recursos que o SNS não possui.

AARS Norte tem uma liderança consciente e com visão. Por isso espera-se que atente aos problemas no Douro Sul e não se compreenderia que esta região continuasse a ser reserva de opções não adequadas e sem preparação.

Parar, não acompanhar o desenvlvimento, não deixar avançar as respostas às necessidades sentidas pela população, é uma ofensa à saúde das populações. É não deixar viver condignamente pessoas e famílias na sua residência. Será porventuura um crime por omissão.

Por cada ECCI não criada ao longo destes anos, nuitas famílias sofreram o desconforto da falta de cuidados de proximidade nas suas casas, por cada USF não criada foram muitos os jovens médicos e enfermeiros e outros profissionais da equipe de saúde que não sentiram condições de se fixarem por cá; pela não reorganização das unidades de saúde em núcleos mais alargados que permitissem uma maior massa crítica e técnica, foram oportunidades de saúde não satisfeitas e impediu-se de haver formação médica em todos os concelhos do Douro Sul, estando só a Lamego, Tarouca e Moimenta da Beira, reservados esse privilégio.

Não fora o trabalho excelente da generalidade dos profissionais de saúde muito pior seria. Os índices de desempenho, (fonte portal BI SNS – CSP) que só refletem uma parte do trabalho que existe na saúde, mas pelo esforço dos profissionais, se vão ajustando positivamente, refletindo também a maturidade e adequação do processo de Contratualização. Com fórmulas distintas ao longo dos anos e mecanismos de leitura de indicadores diferentes, todavia, em termos relativos, continuamos a marcar passo, pois em 22 ACES só quatro têm piores resultados que o Douro Sul. Até estes profissionais, muitos destes, vão ficando ser perspectivas e veem limitados os horizontes.

Basta de fechar a porta a soluções nesta região em áreas em que o poder central tem a obrigação de resolver, mas que as forças locais estão de braços abertos para se envolver.

O Douro Sul tem que ter futuro, merece ter futuro e o excelente trabalho das Instituiçõe se dos Municípios não pode ser desperdiçado.

Só no terreno, todos os dias, com humildade, se conseguem construir soluções para as pessoas.

Calar faz mal à saúde.

 

Domingos Nascimento