Plantar árvores: do incentivo à responsabilidade

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Dia Mundial da Árvore ou da Floresta

Os ecossistemas do nosso planeta utilizam o sol como fonte principal de energia, porque são as árvores que fazem toda a produção primária (em rigor, as plantas, algas e algumas bactérias). São exceção as zonas urbanas e industriais. A cidade é, por isso, um ecossistema parasita que exporta resíduos e importa alimento e energia de todos os outros, tendo o sol como inconveniente, em vez de fonte principal. Melhorar neste capítulo é um enorme desafio, especialmente quando consideramos que, de acordo com as estimativas das Nações Unidas para 2050, 70% da população do mundo e 83% dos europeus viverão na cidade.

Diz a União Europeia que o continente Europeu é das regiões do mundo mais ricas em florestas: 39% do território é coberto por árvores e 18% é a maior rede mundial de áreas protegidas, a Rede Natura 2000. Ainda assim a estratégia para a biodiversidade está a investir em mais árvores e áreas verdes. O Pacto Europeu para o Clima tem como um dos mais importantes objetivos preparar a resiliência do território europeu à ameaça das alterações climáticas e com isso contribuir para melhorar a saúde dos europeus. Até 2030, quer-se apoiar a plantação de mais três mil milhões de árvores. O número pode ser impressionante, mas, neste caso, o que mais conta é o critério.

Veja-se a projeção do estudo “EU-Trees4F” que apresenta dados para uma futura distribuição de 67 espécies comuns na Europa. Para 2095, a projeção para a azinheira, que é uma das árvores mais características da flora mediterrânica, prevê que esta deixe de estar presente no território português e passe a ocupar apenas uma pequena fração do território ibérico – junto das zonas montanhosas da Cantábria e dos Pirenéus.

Ainda assim, nos últimos tempos multiplicam-se as oportunidades de fazer qualquer coisa. Veja-se o programa REACT-EU, que recentemente disponibilizou às nossas autarquias um pacote de 26,5 milhões de euros, direcionados para a gestão florestal e arborização; ou o programa LIFE, da Comissão Europeia, que apenas no capítulo de Natureza e Biodiversidade, criou oportunidades de financiamento num total de 460 milhões de euros, até este março. Outro exemplo em Portugal é o Programa de Transformação da Paisagem, virado para o planeamento e gestão dos territórios rurais de baixa densidade, onde a floresta se assume como um dos mais importantes capitais naturais – tem já seis planos de reordenamento e gestão da paisagem aprovados ou em curso. Também no capítulo da investigação, o programa Horizonte Europa aponta para a adaptação às alterações climáticas. O ForestWISE – Laboratório Colaborativo para Gestão Integrada da Floresta e do Fogo, sediado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, acaba de lançar o Projeto FIRE-RES que quer influenciar novas práticas de gestão das florestas, de forma integrada, minimizar o impacto dos incêndios nas pessoas, nas suas atividades e nos ecossistemas, e quer ajudar a implementar políticas de desenho das paisagens mais sustentáveis e resilientes.

Nesta periódica celebração do dia da árvore – da esquizofrenia dendrológica, dia de plantação de árvores que, invariavelmente, dias depois, muitas são deixadas à sua sorte – plantar uma árvore deve ser mais um ato de responsabilidade, que passa por selecionar com critério, plantar corretamente e cuidar melhor.