Port Wine day… todos os dias são bons dias para celebrar o Vinho do Porto*

Por Manuel de Novaes Cabral, Presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP)

Todos os dias são perfeitos para homenagear e celebrar o Vinho do Porto. Se a história nos recorda que somos a região demarcada e regulamentada mais antiga do mundo, o presente mostra-nos um reconhecimento aquém e além-fronteiras que nos diz que estamos a percorrer um caminho certeiro e seguro.

Em 10 de setembro de 1756, era instituída a Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro e com ela nascia a primeira região demarcada do mundo: o Alto Douro Vinhateiro. Pela primeira vez, desenvolve-se um sistema de indicação geográfica em tudo semelhante aos que hoje se estabelecem para os grandes vinhos do mundo: uma limitação geográfica, um conjunto de regras e uma entidade supervisora.

Recentemente, os vinhos do Douro e do Porto viram as suas qualidades reconhecidas e a sua notoriedade internacional reforçada com vários prémios, dos quais se destaca a classificação da revista Wine Spectator em 2014. Estes prémios demonstram que o caminho que está a ser feito pelos agentes económicos e instituições da região é um caminho de afirmação e de valorização do produto, é um caminho de projeção da região e de Portugal no mundo. No fundo, o caminho da valorização do território através da economia do vinho.

Relembro que não há vinho sem território e, no caso do Douro, território sem vinho. Esta máxima está expressa na inscrição do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial, paisagem evolutiva e viva, em 2001.

Este ano, as conferências do Port Wine day lançam três desafios. Um foca-se no futuro da região, chegados que estamos ao patamar das grandes regiões do mundo. Se relativamente ao Vinho do Porto poucas dúvidas havia, o caso de sucesso dos vinhos tranquilos do Douro é o confirmar da Região Demarcada como um local de eleição para a produção vitivinícola mundial. O outro permitir-nos-á refletir sobre o posicionamento que queremos para os nossos vinhos e o segmento de luxo e diferenciação no mercado dos vinhos, área que o Vinho do Porto tem trabalhado e que necessita de consolidação. O terceiro salienta o valor e a força das Denominações de Origem para a economia dos territórios, trazendo para este debate representantes das instituições europeias, de organizações mundiais do vinho e da vinha e de regiões vitivinícolas como Champagne e Napa Valley.

Este ano, cumprimos o objectivo “Contagiar a Cidade”, alargando o raio de ação aos cidadãos e visitantes que nutrem especial interesse pelo vinho e pela gastronomia. Para além das conferências, provas e masterclass, o IVDP e o setor criaram e implementaram um programa centrado em harmonizações, através de um roteiro gastronómico e jantares vínicos, animação de lojas, ações especiais nas Caves, em museus e equipamentos culturais. Este programa e a adesão imediata dos agentes demonstraram, mais uma vez, a capacidade mobilizadora do Vinho do Porto junto de públicos que não são naturalmente seus, refletindo a transversalidade do Vinho do Porto na economia e na cultura. Evidencia também que as sinergias criadas pelas instituições e pelos agentes económicos podem criar laços fortes com reflexos nas comunidades onde intervêm.

Esperamos desta forma criar uma dinâmica a longo prazo que permita tornar o Port Wine day uma realidade de todos os dias.

* Adaptação da intervenção proferida por Manuel de Novaes Cabral, por ocasião da Sessão de Abertura da Conferência Port Wine day 2015.

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