Sabia que…

Por Manuel de Novaes Cabral, Presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP)

Por Manuel de Novaes Cabral, Presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP)

… não há Vinhos do Porto monovarietais?

Uma das expressões mais valiosas do Douro é o seu património genético, com mais de uma centena de castas que se adaptam aos diferentes terroirs durienses. O Vinho do Porto exprime esta diversidade pois é um vinho de lotação de diferentes castas e é esta característica que o torna tão especial na sua estrutura e no seu paladar único.
Os vinhos do Douro, produzidos a partir das mesmas castas, já podem ser vinhos de lotação de diferentes castas ou produzidos a partir de uma só casta, neste último caso destacam-se a Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão (tintas) e Moscatel Galego Branco, Rabigato e Códega do Larinho (brancas).

… a Região Demarcada do Douro (RDD) tem a particularidade de ter duas Denominações de Origem (DO) que estão protegidas em mais de 160 países?

As Denominações de Origem Porto e Douro são a expressão de um território único e espelham a sua excelência, exigindo um trabalho diário de fiscalização, certificação, proteção, defesa e promoção, atividades exclusivas do IVDP,IP. Quanto à proteção e defesa, em colaboração com os Ministérios da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e dos Negócios Estrangeiros, o IVDP acompanha as negociações internacionais que envolvem a proteção daquelas denominações de origem, estando as mesmas protegidas em mais de 160 países através de diversos mecanismos. A Denominação de Origem Porto é a mais antiga do mundo (demarcada, regulamentada e controlada desde 1756, embora com um uso mais antigo), sendo que a Douro é uma das mais recentes (regulamentada 1982, mas reconhecida legalmente em 1907).

… as parcelas de vinha da RDD são classificadas pelo método Moreira da Fonseca?

O método Moreira da Fonseca foi um trabalho pioneiro que introduziu conceitos de zonagem vitícola aplicados à promoção da qualidade na produção do Vinho do Porto e é, ainda hoje, o método que rege os 12 fatores de classificação (A a F) que traduzem o potencial qualitativo para a produção de uvas para Vinho do Porto.

Atualmente, com o Sistema de Informação Geográfica da Vinha da RDD (SIVRDD) é possível a a obtenção automática da pontuação de quatro fatores: localização, altitude, inclinação e exposição.

Para disponibilizar aos viticultores o SIVRDD e as suas funcionalidades, desenvolvemos o Portal do Viticultor que disponibiliza toda a informação das parcelas de vinha da RDD. Com a implementação do cálculo automático de parâmetros, baseado num Modelo Digital do Terreno de grande exatidão, conseguimos aumentar a rapidez no tratamento da classificação das parcelas de vinha. Além disso, este cálculo em áreas que ainda não tem vinha (simulador) permite prever a futura classificação da parcela bem como a sua área, por forma, a adotar as medidas de gestão do potencial vitícola, mais adequadas.