Um Novo Ciclo

Por António Fontainhas Fernandes, Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)

Os resultados das eleições do passado dia 4 de outubro comprovam uma clara divisão das opiniões dos eleitores. Esta divisão política também teve expressão na geografia eleitoral, revelando assimetrias regionais que, em termos globais, conferem um mapa colorido a Sul pelos partidos de Esquerda, enquanto o Centro e o Norte expressam tendencialmente uma votação nos partidos do arco da governação.

Esta dualidade política a que se assiste em Portugal, associada às evidentes assimetrias que se registam entre um interior despovoado e um litoral mais dinâmico, exige do futuro governo mais experiência política, maior capacidade de diálogo para estabelecer entendimentos alargados nas principais áreas da governação. Da oposição espera-se, também, este sentido de responsabilidade.

Na verdade, o futuro passa por um novo ciclo de entendimento e de diálogo alargado. Este clima de entendimento político deve ser alargado às regiões. Importa criar pontes que desenhem estratégias regionais alargadas que envolvam o poder político autárquico, os empresários e o sistema científico. Este cenário é essencial para se potenciar as oportunidades que se abrem neste novo ciclo de programação Norte 2020, permitindo relançar a economia da região e atenuar as assimetrias intrarregionais.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte tem dado um forte impulso a este quadro de entendimento entre os atores regionais, designadamente ao consórcio UNorte.pt, celebrado entre as três Universidades da Região Norte, Universidades do Porto, do Minho e a UTAD. A estratégia do consórcio UNorte.pt permitirá reforçar a desejável articulação entre o sistema científico regional e o tecido económico-produtivo e social, determinante no desenho de estratégias regionais de especialização inteligente, visando a criação de riqueza e o aumento de emprego.

O Futuro do nosso país e da região exige um novo ciclo político. Um ciclo de responsabilidade e de entendimentos alargados em matéria de políticas nacionais, bem como em matéria de políticas da região.